segunda-feira, 24 de julho de 2017

Conheça nossa cozinha #66 - Muito além de superomen e batmão!

 De fato eu vivo dentro de uma bolha, tal qual muitos por aí, inclusive você.
 Fato que filtra muito o conteúdo que chega até mim como por exemplo filmes Marvet e similares. Que de fato não respingam na minha timeline do face outras mídias, mas ainda sim respinga em uma ou outra conversa, na qual eu só aceno a cabeça e concordo, porque ir contra a massa hoje é pedir para ser moralmente reprovado, como se não ver o filminho da onda fosse pecado, tal qual eram tratados os pecados na idade média.
 Daqui um tempo se a gente não vê filme de super herói vamos ser jogados em uma fogueira vivos, ou quando muito vamos ficar de fora da conversa na roda de amigos.
 De fato conheço gente que assiste, gosta vira fã em um dia e noutro dia esquece pra virar fã do próximo filme.
 O que não é nada demais, afinal todos temos nossas fases mais fervorosas como fãs.
 Eu mesmo já tive minha fase fã de liga da justiça, quando passava o desenho no sbt, e até hoje se eu tiver cinco minutos de paciência eu até assisto assim como x-men Evolution e Ben 10.
 Porém a reflexão que trago aqui é:
 O mundo só isso?
 Esse mundinho de supers e tals, ou a bandinha do Moebius, Watchman, nacional alternativo porco, cartum da era da pedra, indie fodão que ninguém lê porque acha caro...
 Tipo, o Goku já morreu 500 vezes, Super man também, homem aranha também as histórias já foram contadas, recontadas, três contadas e as pessoas consomem isso por 20 as vezes 30 anos e tem orgasmos como se fosse a primeira vez que estão assistindo.
 Ok, tenho meus momentos fã boy também, mas hoje parece que só existe isso.
 Eu citei por alto alguns “gêneros” de quadrinhos, em que uma minoria transita entre eles porque na maioria é um estilo só e to cagando pro mundo porque o resto é tudo um lixo.
 - Ah mais os quadrinhos Indie Nacional tem o nível dos gringo!
 - Quadrinho nacional é um lixo, os cara fica tentando fazer liga da justiça no sertão!
 - Eu só gosto de mangá!
 Sempre lembro do Gabriel Bá dizendo que a gente só vai até onde o braço alcança, ou no caso até a banca de jornal da esquina.
 Não que as histórias de super heróis sejam de tudo ruins, são válidas, afinal ser fã é seguir fervorosamente seus ídolos até o inferno.
 Ao menos é o que parece.
 Mas quem lembra que em comum todos são quadrinhos?
 Ou ainda mais ESTÓRIAS?
 Existem outras histórias, outros contos, outros universos a serem explorados e vejo gente vendo dragon ball há 20 anos e ficando feliz quando o Goku ganha hahaha.
 É óbvio que ele vai ganhar.
 A gente quer que ele ganhe.
 É legal, mas porra já faz mais de 20 ANOS! A gente vive numa média de 70 anos.
 Tem tanta coisa nova por aí esperando para ser descoberta.
 Histórias para serem contadas e lidas.
 Sei lá, mesmo que seja só por um dia sair de metrópoles ou gotham, ou konorra e conheçer outros mundos, viver outras encarnações através de outros personagens. Mesmo que tudo no fim seja uma merda e voltemos a ler Batmão no dia seguinte, acho que pelo mesmo vale a pena experimentar.
 Eu como autor penso muito nisso quando escrevo uma história.
 Claro que tenho vícios, hábitos, costumes e padrões de escrita e desenho (o que define o meu estilo), mas particularmente sempre me sinto tentado e escrever histórias diferentes do que costumo contar, mesmo que no final o resultado fique um lixo.
 O que não é de todo ruim, porque isso resulta em um aprendizado (pro bem ou pro mal).
 Só que nós autores sempre somos tentados também a seguir o caminho industrial, personagens fixos, esticar histórias porque o público quer mais do mesmo, e isso não é para todo mundo que funciona.
 Mas é o que a indústria muitas vezes nos impõe, e nós pelo comodismo, conforto ou até restrições sociais (sim, porque é chato não poder comentar quando o assunto da rodinha é o filminho do momento) ficamos sentados no sofá, vendo a reprise da sessão da tarde, vamos ao cinema para ver a reprise de filmes antigos com uma roupinha nova, lemos os clássicos reimpressos em papel mais descente.
 Melhora a qualidade, mas no fim é a mesma história batida de sempre.
 Até o Chaves é reboot de si mesmo em muitos episódios.
 Sei lá.
 Só.... Dê uma chance ao desconhecido.
 Pode ser legal.
 Ou pode ser uma merda.
 Vale a tentativa.

domingo, 9 de julho de 2017

17b - Parte 3

Leia a parte 2 clicando AQUI
Parte 4 em breve
enquanto isso que tal ler outras hq´s AQUI?

domingo, 25 de junho de 2017

17b - Parte 2

Parte 1 AQUI


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Leia a Parte 3 clicando AQUI

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Conheça nossa cozinha #65 - Faça

 Depois de um tempo sem escrever aqui explico-lhes o motivo da pausa:
- Não tenho mais moral de dizer o que é certo ou o que é errado.

 É sério. Apesar das opiniões expressas aqui nessa coluna serem imparciais ou as vezes totalmente pessoais eu não consigo mais dizer o que eu ou você deveríamos fazer para melhorar nossos quadrinhos.
 Porque como tudo na vida somos completamente mutáveis.
 Muito da referência que eu usava para escrever esses textos era da época em que estudava na Quanta academia de artes e muita coisa é material de um possível curso quando eu tomar coragem para dar aulas, mas acho que agora tenho pouco a dizer com relação a parte técnica.
 Claro sempre há o que dizer e aprender, ainda hoje eu leio quadrinhos estudo sobre roteiro, narrativa e experimento coisas novas e aos poucos pretendo continuar compartilhando com vocês através dessa coluna minhas descobertas, que podem ser vistas na evolução da minha obra.
 Mas cheguei em um ponto que fico indeciso sobre defender um ponto de vista ou outro...
 Porque não tem certo ou errado (opa isso é um ponto de vista) o que vale é a sua intenção e se você consegue alcança-la. E acho que esse é o maior desafio de todos com uma história em quadrinhos, você conseguir passar para o leitor aquilo que você realmente quer passar, ou pelo menos algo próximo do que você imaginou na sua cabeça.
 Pegando um exemplo prático disso, o humor.
 Se minha intenção é fazer o leitor rir e eu consigo, acho que minha intenção foi concretizada. Bem como fazer o leitor se emocionar, criar empatia pelo meu personagem enfim. Mesmo sendo seres únicos sentimos as coisas de modo parecido (eu chamo isso de emoções universais) e saber brincar com isso acho que é a maestria de um autor.
 Percebi isso lendo Dom Quixote, que é um conto tragicômico de 1605 e hoje em 2017 conseguiu me cativar (óbvio que com as devidas adaptações de linguagem e uma bela resumida), mas mesmo assim o Dom Quixote de 1605 nos cativa e sente emoções tão comuns quanto nós sentimos hoje mesmo com smartfones e um estilo de vida completamente diferente, mas mesmo assim somos tão influenciados pelas mídias como o próprio Dom Quixote foi influenciado pelos livros de cavalaria que o deixaram completamente biruta.
 E outro fato é que o autor através das loucuras dos personagens do livro que são uns mais doidos que os outros consegue nos colocar naquele mundo e nos convencer que aquilo realmente aconteceu.
 Acredito que essa seja outra maestria de um bom autor, o convencimento de que aquilo é possível.
 Tipo um filme como Duro de matar.
 Dentro do universo do filme é ok o Bruce Willis sair explodindo tudo, ir sozinho contra um exército. Dentro da proposta do filme isso é aceitável.
 Já isso na realidade soa falso.
 Assim como filmes que tentam ser realistas e não conseguem também soam falsos.
 Por isso digo que essas são as maestrias (ou técnicas) que eu pretendo aprimorar durante minha jornada como autor, e que julgo serem essenciais a que quer compor uma obra de qualidade.
 Tudo bem, no começo do texto eu disse que não conseguia defender um ponto de vista e acabei por defender, o que no fim das contas é bom.
 Por mais que hoje eu tenha dito o que está escrito aqui amanhã posso discordar completamente, assim como discordo de muita coisa que escrevi nessa mesma coluna tempos atrás. Porque a vida é isso.
 Se tens uma boa ideia, experimenta. As coisas no papel ficam completamente diferentes do que são na nossa mente.
 Para melhor
 Ou para pior.
 O importante é fazer.