quarta-feira, 13 de maio de 2015

Conheça nossa cozinha #7

Questão de gosto.

Leite moça ou jiló?
Tem que goste só de um, dos dois ou até mesmo de nenhum.
Quadrinhos seguem o mesmo raciocínio, quando vejo as eternas tretas entre Marvelistas e Dczistas melhor ficar isento.
Não, não vou começar outra discussão com esse tema aqui porque já tem o suficiente no resto do mundo.
Porém para o cara que faz quadrinhos o dilema da escolha pesa o tempo todo, um dlees é fazer o que todo mundo gosta ou fazer o meu estilo.
Quem consegue os dois, parabéns. Se deu bem. Não precisa dos meus conselhos.
Já quem é do segundo tipo... Também não.
Mas mesmo assim vou falar algumas coisas sobre isso que acho interessante.
Quando começamos a fazer nossos próprios quadrinhos é comum fazer algo parecido com o que gostamos. Aí vamos amadurecendo e estudando, e aprendemos que existem outros caminhos de estilo a seguir além dos mais comuns.
Exemplos comuns hoje em dia são os quadrinhos estilo mangás (mangá = quadrinho em japonês).
Quem começa fazendo mangá tende a copiar o seu autor favorito. Até aí sem problemas, aspirantes a desenhar comics, ou tiristas fazem o mesmo.
Um problema é que em muitos casos os novatos (ou não novatos também) levam o que era para ser influência como uma meta.
Tive um professor de desenho que foi o caso, ele comprava revistas de super heróis e copiava tudo até sair igual, tão igual que ele depois de um tempo ele desenhava igual ao Greg Capulo.
Legal né?
Não, não é.
Como ele era aspirante a desenhar para o mercado americano e eles já têm um Greg Capulo, não precisavam de outro.
Segundo ele foi preciso muito tempo para tirar a estilização a lá Capulo e os vícios de  traço do desenho dele para depois construir o estilo próprio dele.
Eu já fui assim por tempos também.
Com a exceção que sempre fui um péssimo copista, o que sempre me incentivou a investir energia nas minhas criações ao invés de virar seguidor ou copista de outro artista ou escola.
Até assumirmos nosso estilo de traço ou de contar histórias, pode demorar um pouco. Não precisa pilhar muito com isso no começo, mas é legal já ter isso em mente.
Em questão de individualidade eu admiro cartunistas como Gilmar, Fernandes, Allan Sieber, André Dahmer, Fabio Moon e Grabriel Bá, Laerte, JM Ken Nimura, Brian o'malley e outros, eles tem tanta identidade no que fazem que só de você bater o olho sabe que é o desenho do cara.
Ao contrario de muitos quadrinhos estilo “mangá” ou “comics” (autorais também entram na dança) sendo produzidos por aqui, muitas vezes esses são apenas formulas repetidas do que se produz lá fora (que também são repetições há anos).
Outro caso que eu conheço bem (até porque somos parceiros de trabalho) é do meu amigo Johnny.
Na época em que este blog ainda era kanja de quadrinhos e ele publicava junto comigo aqui. Depois de um tempo mesmo que inconscientemente ele se forçava a fazer humor porque eu também fazia. Não que ficasse devendo em qualidade, as tiras são boas e curto muito. Mas o estilo dele ainda é mais puxado para outros assuntos, com uma pitada de humor, sim, mas não como foco principal da trama.
Já o meu caso foi de tentar me aventurar no estilo mais popular foi o sunseeds como já escrevi anteriormente, quando estava lendo apenas quadrinhos japoneses.

Então como desenvolver um estilo próprio?
Sei lá.
Não tem jeito.
Como tudo nos quadrinhos é sentar, fazer e arriscar.

Porém alguns conselhos de ouro que eu ouço (ou leio) muito, são:
Dificilmente você vai agradar todo mundo. Então fazer uma história que te agrade, ao menos você se diverte com isso.
Divirta-se fazendo quadrinhos.
Escreva sobre o que você sabe, o que não necessariamente o que você mais gosta de ler. (Eu sei fazer humor, gosto de humor, mas gosto ainda de histórias dramáticas, mesmo não escrevendo nenhuma.)
Leia outras coisas que não sejam quadrinhos.
Também veja filmes que não sejam baseados em quadrinhos.
Coloque o seu cotidiano nas histórias, isso facilita ao leitor se identificar com o que se passa na história.
Não faça Gokus, Narutos ou combatentes do crime com roupa de carnaval sem ter certeza que consegue fazer algo diferente ou inovador. (Eu sei o mercado anda acomodado com esses tipos, mas podemos ser diferentes né?).
Leia quadrinhos, mas não leia só o mesmo gênero, leia mangá, dc, marvel, quadrinhos europeus, canadenses, nacionais, web quadrinhos, o do coleguinha do curso, etc...
Leia meu blog e curta minha página no facebook. (Droga... esse ninguém fala...).
É isso.


A indicação de hoje, é justamente meu parceiro Johnny Silva que em breve estará voltando com histórias novas para o seu blog, tem o link ali do lado direito.






Ps: Às vezes eu acho que Deus é só um pseudônimo de alguém.