quarta-feira, 3 de junho de 2015

Conheça nossa cozinha #10

E você vai continuar fazendo quadrinhos!

  Faço quadrinhos, não nego.
  Paro quando morrer.
  Ou quando der preguiça.
  O que vier primeiro.
  Acredito que não dá para ser quadrinista só das 8 ás 5 tarde de segunda a sexta.
  Mas e desenhando para os outros?
  OK. Assim é possível.
  Então deixa eu ser mais claro.
  Acredito que não dá para pensar como quadrinista só das 8 ás 5 tarde de segunda a sexta. Mesmo quando não pensamos em quadrinhos, tudo o que vemos a nossa volta pode (ou não) ser agregado às histórias que queremos contar.
 Pensar como quadrinista não significa só pensar em lápis, texto, pagina custo, tem algo a mais além da técnica.
 E é isso que nem todo mundo tem.

 Fazer ou não fazer quadrinhos eis a questão.

 Quando ouço que alguém quer ser alguma coisa, empresário, motorista, traficante, gigolô ou o que quer que seja traduzo automaticamente para quero ganhar dinheiro com isso.
 Se esse é o caso eu quero ser milionário, de preferência ganhando na mega sena.
 Mas você não gostaria de ganhar dinheiro com quadrinhos?
 Claro que sim.
 É muito gostoso ser remunerado pelo que fazemos, ainda mais quando a gente gosta do que está fazendo.
 Mas se é só pela grana que seja de um jeito mais fácil.
 Porque quadrinhos eu vou fazer mesmo não ganhando dinheiro diretamente com isso.
 Quadrinhos são uma forma de arte e arte não tem valor. Ao menos para mim.
 Ta bom eu não compro quadrinho só pela arte ou pela vontade do cara de produzir ou por outro pensamento filosófico que me faça um santo. Eu compro porque me agrada. Porque o trabalho é bom. Porque eu ganho algo com isso. É uma troca.
 Essa é a parte não bonita da história, ninguém ta nem aí para o que você faz. E sim se aquilo lhe serve ou não.
 Esse é o nosso belo mundo.
 Na web ou de graça mil pessoas podem amar o seu trabalho.
 Mas quando você tentar vender algo, ou pedir financiamento, nem todas vão amar seu trabalho tanto assim.
 Quando você tenta vender o quadrinho ele se torna um produto além de ser uma forma de arte.
 Então você pensa em publico alvo, personagens, estilo e o caraio de coisa. Porém toda técnica do mundo, todo o planejamento de marketing não substituem uma coisa, paixão.
 Quem tem paixão pelo que faz, faz do jeito que dá.
 Mesmo não dando nada.
 Já desenhei muito na mesa do escritório, deixei de sair fim de semana, etc, para poder colocar minhas idéias no papel. E isso valeu a pena, não só pela experiência ou pelo dinheiro, mas é porque me trouxe algo mais. A sensação de que minha vida é vivida em função de algo maior que instintos ou o que mídia nos impõe para sermos felizes.
 Posso vender meia dúzia de revistas na vida ao invés de milhões, mas e daí? Isso torna meu trabalho menos importante? Menos sucesso? Não para mim.
 Depois de 2 anos publicando regularmente na WEB eu já me considero um sucesso por não ter desistido.
 Posso desistir agora ou não que isso não me tira o mérito.
 Porque sonhos são pessoais, eu sonho para mim e compartilho com vocês o que sai disso.
 Então antes de ser um sucesso de vendas eu quero ser um sucesso para mim mesmo, fazendo histórias que eu curto, alcançando resultados que me satisfazem e me realizando como quadrinnista, em primeiro plano na parte artística, porque acredito que a parte financeira é conseqüência disso.
 E se você não tem essa determinação para continuar mesmo que ninguém goste do que você faz ou te cubra de elogios e dê um tapinha nas costas fica a dica:
 Tenta uma outra coisa, um curso de informática!
 E você vai continuar fazendo quadrinhos!

Escrevi esse texto ao som dessa música do Rogério Skylab:




Meus agradecimentos ao meu parceiro Johnny do HQ sem titulo que me escuta durante horas falando sobre quadrinhos, o que me fornece material para essa coluna.