quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Conheça nossa cozinha #24

Simplicidade.

 Parece fácil, mas não é.
Todo mundo desenha, isso é fato. Mas nem todo mundo é desenhista. Assim como todo mundo canta mas nem todo mundo é cantor.
 Todo mundo quer desenhar bem. 
 Você.
 Eu.
 O Akira Toriama.
 Todo mundo quer. Não é errado. A gente estuda a vida inteira pra isso.
 O problema é....
 O que é desenhar bem?
 É um conceito muito amplo pra definir. Tem gente que acha que é anatomia e hiper realismo. Respeito isso. E gostaria muito de aprender inclusive, porém meu caminho é outro. 
 Afinal cedo ou tarde a gente descobre nosso caminho ou própria vida nos leva até ele.
 Tem gente que vive de caricatura. Tem gente que projeta coisa. Tem gente que pinta quadro com cocô. Eu faço quadrinhos.
 Que é uma linguagem bastante ampla também.
 Dentro desse meio fui me descobrindo até chegar em algo que é o meu caminho.
 A simplicidade.
 Que parece simples, mas de simples não tem nada.
 Porque o caminho natural do desenho é ir agregando coisas. Tecnica em cima de tecnica. E isso é uma baita armadilha. Porque a gente acaba fazendo da tecnica uma muleta. 
 Exemplo bobo.
 Dois atores sobem ao palco.
 Ambos interpretam o mesmo personagem.
 O coringa por exemplo, ou algum outro da sua escolha realmente marcante.
 Um deles está com o figurino completo. Totalmente a carater e com todos os detalhes.
 Porém ele interpreta mau. Ruim, ruim de tudo. Faz o coringa parecer qualquer outra coisa menos o coringa. Tipo aqueles tiozinho de porta de açougue vestido de palhaço. Um desastre.
 Já o outro está completamente nú. Sem o terno roxo ou a maquiagem. Mas sua interpretação é fantastica. Mesmo sem estar a carater ele te convence como sendo o coringa.
 Com quadrinhos não é diferente. Muita gente esquece o simples e parte logo para o complexo, o desenho fudido, virtuoso e esquece do aspécto (na minha visão) mais essêncial de uma história, que é passar um sentimento. Raiva, alegria, tristeza, superação... Sem essa noção de sentimento sua história não transmite porra nenhuma de emoção, você pode ser o melhor, mas sua história ainda é imcompleta.
 Por isso é comum vermos histórias em parceria. 
 Pois ninguém é obrigado a dominar desenho e roteiro.
 Mesmo que o idela seja ambos saberem um pouco dos dois.
 Eu gosto do caminho do simples, uma porque eu realmente não tenho saco pra punhetar traço outra porque eu acho que uma boa história funciona com qualquer estilo.
 Eu não conseguiria ver minhas histórias com outro traço que não fosse o meu.
Mesmo ouvindo com frequencia que meu desenho é engraçado, tosco ou é de humor, até quando estou contando algo dramático.
 Até há pouco tempo eu me achava falho por não saber fazer de outro jeito.
 Na vida em geral tendemos a valorizar mais o que a gente não tem do que o que a gente tem.
 Por tempos eu achei eu era imcompleto por não dominar outros estilos. Foi de uns tempos pra cá que vi que posso usar isso a meu favor. E que não há problema em desenhar do seu jeito.
  Como tenho uma veia comica por natureza, consigo retratar coisas que seriam pesadas ou obscuras demais com mais leveza e um tom de cinismo absurdo.
 Tomo como exemplo uma hq que eu fiz sobre um cara que tinha galinhas no lugar de mãos. (leia)
 Aquilo com traço realista ia ficar um negócio grotesco, pavoroso, bizarro. Imagine você no ônibus e senta do seu lado um cara desses. Com galinhas no lugar de mãos? Eu sei que imgainar é engraçado, mas na realidade sabemos que ia ser meio grotesco. 
 Não é só porque eu tenho um desenho simplista que eu não transmito emoções. A chave é a aceitação. Afinal todo mundo desenha, mas só eu desenho do meu jeito.
 E assim o que era uma deficiencia minha no começo hoje se tornou um caminho e mais pra frente vai se consolidar em um estilo.
Foi, e está sendo um processo longo, mas muito gratificante.