quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Conheça nossa cozinha #25

 - Cara! Que história foda! Tem tudo que eu quero! Viva o fan service!

 Agradar ou leitor.

 É algo sempre tentador dar o que o leitor quer.
 Tipo novela.
 Você sabe que o casalzinho vai ficar junto no final, o vilão vai morrer de algum jeito imbecil como punição pelos seus crimes e todo o resto vai casar, transar e viver feliz para sempre. Ou até encarnar outro personagem na próxima novela.
 Nos quadrinhos, nos desenhos e nos filmes vejo esse anseio em dar o que o publico quer o tempo todo. Ação, mulher gostosa, romance água com açúcar, enfim. Isso porque o risco de um expectador se frustrar pode arruinar todo o trabalho de construção da história.
 Como exemplo, cito o filme sucker punch. É um filme tri legal, mas o sacrifício que a personagem principal faz no final me faz não gostar filme. Mesmo o resto sendo bom.
 Por isso muitas vezes é mais simples dar conforto ao leitor do que desafia-lo ou até frustrá-lo. Tipo os desenhos antigos, onde o bem derrota o mau e todo mundo da risada no final. É simples, mas funciona e todo assistia o episódio seguinte. Mesmo sabendo que não ia sair disso.
 Só que indo por essa zona de conforto dificilmente você conseguirá uma coisa que pra mim faz toda a diferença:
 Surpreender.
 A arte de contar uma boa história não está nos clichês, peitões ou bom traço. Acredito que esteja na surpresa. Saber surpreender é tudo.
 Contar algo velho de um jeito novo, ou fazer o personagem tomar um caminho que você não espera. Saber ser diferente.
 O que implica um alto risco, porque todos estamos acostumados a uma certa zona de conforto.
 Quando eu lia só gibi japonês por exemplo. Foi um custo até eu sair desse mundo para conhecer outros estilos. Porque chegou uma hora que nada mais me surpreendia. Não dava mais pra ficar só no dragon balls ou no narutão. Uma hora eu me enchi disso. Procurei outros mangás e posteriormente outros estilos de quadrinho, pelo fato de cansar do mais do mesmo. Faltava o fator surpresa. Algo diferencial.
 Claro, tem gente que fica nessa a vida inteira sem se queixar. Certos fãs de cavaleiros do zodíaco tão aí como prova disso.
 Pra mim esse caminho não funcionou.
 Por isso dar ao leitor o que ele quer nem sempre é garantia de sucesso.
 Claro que isso depende do seu público, porém ter um diferencial é sempre bom.
 Você pode fazer um dragon ball genérico ou um liga da justiça genérico, tem gente que vai gostar, não duvide. Porém entre o seu e o original a chance do cara preferir o original é muito maior.
 Outro ponto importante é saber como surpreender o leitor. Não da pra jogar coisas na história ao acaso só pra impactar. Porque mesmo as diferenças seguem regras.
 Por exemplo mortes.
 Uma morte de um personagem importante em uma história pede uma boa justificativa para contentar o leitor em vez de decepcioná-lo.
 Matar o personagem principal no meio da história por exemplo deixa o leitor desorientado.
 Cenas de sexo.
 Sexo por sexo em uma história é uma coisa a toa. Eu sei tem peitinho, vuco vuco e tudo mais, mas ainda acho bobo se não tem sentido. E não to falando de filme pornô com historinha, mas em um contexto mais amplo é legal ter um background para um relação sexual dentro da trama. Tudo que você mostrar na sua história tem que ter um porque, se não há de ser pensar se aquilo é realmente necessário pra história e ainda mais para o leitor.
 Mas assim eu vou estar atendendo a expectativas do leitor!
 Depende, você não precisa sempre dar o que o leitor quer ou precisa fazer ele engolir só o que você quer dar a ele em uma história, mas uma regra é clara: Você tem que dar o que ele precisa, senão o perigo de você perde-lo durante a história é grande.
 Pior do que história que não agrada é uma história que você não entende.
 História ruim a gente lê e tira alguma conclusão e pelo menos sabe porque não gosta. A que a gente não entende é odiada só por não ser entendida, independente do resto.
 Mas aí, da pra ignorar tudo isso e fazer uma salada louca que vai ficar da hora?
 Lógico que dá.
 Porém uma coisa que eu acredito é que para quebrar as regras é preciso conhecê-las.
 Ou não.
 Afinal esse é só um caminho.
 E seguir um caminho sem saber aonde ele vai dar é para poucos, será que você encara?
 Eu não.

 Ainda.