quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Conheça nossa cozinha #31

- Eu quero desenhar igual fulaninho de tal. E você?
- Sei lá... Eu curto uns trampos aí de uns caras aí, mas to satisfeito com meu traço.
- Seu louco!

 Estilo.

 A gente sempre que o desenho do outro é melhor que o nosso.
 E na maioria das vezes é mesmo!
 Fim.

 Não.
 Calma aí.

 Não é o fim.
 Só quer dizer que o traço do cara tem algo que te atrai esteticamente.
 Isso é normal.

 Eu tenho uma penca de artistas que eu admiro e que são influência direta no trabalho (como dito nas duas ultimas colunas).
 O probleminha é quando você admira tanto ao ponto de querer desenhar/fazer quadrinhos igual o fulaninho!
 De começo ou até certo ponto eu acho valido copiar.
 É como aprender a fazer bolo.
 Você segue a receita, faz bolo cru, queimado, morre incendiando a cozinha... Faz parte.
 Porém não sei se é só seguir a receita de bolo o tempo inteiro que é sucesso garantido.
 Tem que ter um diferencial.
 Afinal mesmo o mundo gostando de bolo de chocolate alguma filha da puta foi lá e inventou o de abacaxi.
 Ou o outro filha da puta que pegou pannetone e enfiou chocolate no meio?
 Pior erro da história depois da maçã no Éden...
 Por isso copiar o amiguinho não vai te levar muito longe além da sombra dele. Profissionalmente talvez, temos pencas de Jim Lee´s por aí para provar isso. Mas artisticamente você é só mais um.
 Quem não quer ser único como o Lielfield?
 Bem poucos.
 Mas e aí? O cara ta na Marvet e você que copia Jim Lee ta aí trampando de porteiro pra pagar as contas.
 Lado profissional a parte (porque desenhista infelizmente tem que se prostituir e fazer o que lhe é mandado como qualquer outro peão), trabalhar o lado pessoal ainda é essencial para evoluir como artista e conseguir ter um diferencial.
 Pode não ser o que o público geral quer. O que aquela menininha gata vai adorar ganhar de presente quando você desenhar ela. Mas sempre há publico para o que você faz.
 A comicon e FIQ deste ano mesmo estavam cheios de artistas que vivem desse mercado de nicho.
 Vemos artistas nas gaphic MSP ou desenhando para fora e publicando coisas com sua própria identidade, sem seguir o Marvet way ou copiar o dragon balls.
 É um caminho mais longo que oferecer o padrão? Sim.
 É mais difícil? É.
 Porem eu não quero passar a vida sendo sombra, ou comparado a algum artista qualquer aí.
 Eu quero ser eu.
 E ganhar na loteria.

 Agora um adendo aqui falando sobre técnica.

 Saber usar enquadramentos, palavras, posturas é essencial para uma boa narrativa. Além de claro manter sua identidade.
 Por mais que os dois fulanos aí embaixo sejam personagens conhecidos do povão, só de bater o olho quem conhece meu trabalho (acredito) vai saber que fui eu que fiz.

 Pelo estilo. Tanto de desenho como as falas.