quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Conheça nossa cozinha #33

- Eu curto fazer super herói.
- Anhã.
- E você aí só desenhando essas tirinha aí do gato pirata né?
- Faz tempo que não faço. To pensando em fazer quadrinhos de romance agora.
- Kkkkk Só pra comer mininha né? Pilantra!

 Supers e tiras.

 Quando começamos no mundo dos quadrinhos é comum fazermos algo na linha do gostamos de ler.
 Até aí é comum, lindo e maravilhoso. A questão é:
 Os temas que chegam ao grande público são limitados.
- Ihhhh lá vem outro torrar a gente com essa de representatividade.
 Não diretamente, mas pode ser que sim.
 Quando converso com certos caras da minha geração sobre quadrinhos é pedir para ouvir aquela ladainha toda dos anos 80, dos quadrinhos europeus serem fodas e chiclete com banana e tereréu tereréu. Até aí tem seus pontos fortes, tem coisa antiga que é boa até hoje. Eisner por exemplo.
 O que eu tenho pensando vendo esses lances de representatividade é como esse mundinho de quadrinho veio é fechado.
 A exemplo disso há tempos ouvi um amigo se referir aos gemeos Moon e Bá “como os cara faz quadrinho pra comer mininha”, dizendo isso enquanto estava perdido no mundinho dos supers dele.
 Agora a onda é fazer quadrinho shonen estilo narutão, na minha época (talvez um pouco antes até) a moda eram os supers.
 Sempre aquela coisa engessada do cara fortão, mulheres gostosas e salvar o mundo. Graças ao bom deus, bons amigos e uma boa biblioteca em casa eu pude fugir dessas influências.
  Porém até hoje eu vejo gente que é alucinada em supers e tal, que se esquecem que existem outras histórias para serem contadas.
 Não por isso tive uma grata surpresa de comprar uma hq do Mario Cau com roteiro do André Diniz (Quando a noite fecha os olhos) que aborda a vida de personagem gay. Não pra ser inclusivo ou qualquer coisa ativista, pelo menos me passou essa impressão, se foi também um tanto melhor porque a história não ficou aquela coisa forçada do tipo toma isso sociedade machista e veneradora de paus! É uma história que funciona bem, que fosse com qualquer outro personagem também, com algumas pequenas alterações no roteiro funcionaria do mesmo. A sexualidade do personagem deu até um diferencial. Saiu daquela coisa de relação homem e mulher.
 Agora me responde, o cara fez isso pra comer outro cara?
 Aos poucos da pra ir quebrando os velhos padrões e ir experimentando coisas novas. Saindo do mundinho dos supers e dragoon balls e contando histórias sobre gente comum. Sejam elas sobre qualquer tema ou com qualquer personagem. Até sobre a gente mesmo.
 Desde que o quadrinho seja honesto, o que eu quero é uma boa história.
 Porque mesmo aquele maio da mulher maravilha mexendo com a minha imaginação, eu sempre achei ilógico qualquer mina lutando por aí de biquíni, ou um cara usando roupinha de lycra e acredito que muitos outros caras também pensem assim.
  - E as tirinhas?
 Quando não são supers, ou narutos são tirinhas.
 Criancinha dando lição de moral fazendo a gente se sentir um bosta ou gente que da respostinha atravessada.
 Há anos vemos o mesmo padrão em tirinhas e pouquíssimas conseguem sair desse padrão e menos ainda serem engraçadas.

  Semana que vem falo melhor sobre.