quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Conheça nossa cozinha #35 - Referencias: O privilégio da internet

- Aiiiii eu amo livros!

- Livros são a única coisa que podem mudar o mundo!

- Tive que sair de casa...
- Porque?
- Ou eu morava lá, ou guardava os meus livros...
- E prefere morar na rua é?
- Mas é claro!

 Referencias: O privilégio da internet

 Quando ouço os caras das gerações passadas, fico pasmo.
 Eles compravam gibi na banca e recortavam fotos de revistas pra usar de referencia pra desenho.
 Ok, eu também sou dessa época, maaaaaaas sou um sujeito moderno (pra não dizer preguiçoso) hoje uso pai goglê pra tudo.
 Principalmente para pornograf... Referências de imagens.
 Me incomodo um pouco com gente usando foto de revista para desenhar com a internet inteira aí cheia de imagens pra gente usar como referencia.
 Em coisa de um minuto o goglê me trás imagens sobre a banana roxa da amazônia por exemplo.
 Agora me fala em que diabo de revista eu acho isso?
 Preciso de uma foto de lugar X que não tem em revista nenhuma! Na internet tem.
 Aí acaba a luz, cai a internet ou computador da pau e...
 - Ta vendo, por isso eu guardo minhas revistas até hoje.
 Nesse ponto o cara da revistas é o vencedor.
 Mas e se a casa pegar fogo?
 Os dois são perdedores. O cara da internet e o da revista.
 Questões a parte.
 Apesar de ficar incomodado eu não tenho birra de tudo (do tipo morte aos que usam papel! Limpo minha bunda com chuveirinho!) com quem coleciona foto de jornal, ou revista, cada um tem seu método de trabalho. Eu só acho imprático.
 Quem tem dois leva vantagem.
 A internet nem sempre é bom para acharmos certas coisas. Tem informação até demais. Aí ter um acervo de referencias de livros, revistas, ou recortes organizados por assuntos do seu interesse é muito útil. Ou sites de pesquisa como no meu caso.
  Mas a internet é tudo, menos confiável.
 Nessa parte entram os dados.
 Quando você precisa de fontes confiáveis o jeito é ir à biblioteca, ver documentários e até pesquisar em outros locais mais específicos se necessário.
 Quando se fala de datas, fatos históricos, pessoas que realmente existiram livros são bem mais confiáveis que a wikipeida. Apesar de a mesma servir como caminho para essas fontes bibliográficas.
 Nesse ponto eu sou um pouco mais relaxado porque eu escrevo obras de ficção. Calcadas na realidade, mas de forma completamente fictícia.
 Mesmo viajando na maionese costumo fazer um mínimo de pesquisa sobre um assunto que eu não domino ou para embasar melhor meu roteiro e criar mais possibilidades de assunto para explorar na história. As idéias não surgem do nada.
 Por exemplo numa série que tem aqui chamada documento kanja. Por mais que os personagens falem besteiras o tempo todo eu pesquiso sobre quais besteiras eles deverão falar. Isso deixa a piada até mais interessante, porque deixa a piada com um tom mais verdadeiro. Não é como contar uma piada sobre um judeu sendo que eu nunca conheci um ou entendo minimamente sobre a cultura desse povo abusando do estereótipos como vejo muito por aí.
- Então você é politicamente correto?
 Não vou entrar no mérito da questão agora... Quem sabe em uma próxima coluna.
 Mesmo que você consulte suas próprias experiências de vida você está usando referencias. Na natureza não se cria nada do nada, tem que ter um ponto de partida. A “inspiração” não vem de um momento mágico do acaso, pode até vir, mas para desenvolver e bem essa pequena inspiração é necessário habilidade e não só inspiração.
 Toda história começa dentro da nossa cabeça e vamos usando outros elementos para complementala.
 As coisas se criam de dentro para fora e não o contrário. Mesmo que a informação venha de fora pra dentro, nós a colocamos no papel de dentro para fora.
 E lembrando que referencia não é cópia.
 O todo poderoso gocú mesmo é baseado no personagem homônimo rei macaco de uma famosa lenda asiática.
 Porém isso foi só a base, o tio Toriama criou um mundo inteiro só dele a partir de várias referencias que vieram de fora para dentro da cabeça dele. E seguindo o processo ele transformou a informação que recebeu em informação nova e devolveu para o mundo algo novo.
 Não que isso sirva de desculpa pra sair xerocando tudo como você fazia nos seus trabalhos de colgial, a referencia tanto escrita como fotográfica só te da uma base para você desenvolver algo próprio. Mais que isso é plágio. E sabemos que plágio da merda. E da grossa ainda por cima.
- Mas e se eu criar um cavaleiro que luta com um sarrafo de pau colorido e que pertence a uma ordem de guerreiros escolhidos com poderes sobre humanos?

- Meu chapa, isso é um Jedi. Tente pesquisar mais.