quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conheça nossa cozinha #35 - Mercado

 Mercadinho!

 Nós como bons seres humanos (ou gado) que somos, tendemos a nos adaptar ao mercado quando deveria ser ao contrário.
 Trocando em miúdos de galinha:
 Você não precisa da porra de um celular todo pirocudo. A indústria faz um celular menos pirocudo? Até faz. Mas o que da o lucro real é o celular todo emperequetado.
 Então em vez da indústria se adaptar à sua necessidade de celulares menos pirocudos, ela faz com que você mude seu modo de pensar e sinta necessidade de ter um celular pirocudo (mesmo que seja para não ficar de fora da patota). Assim eles não precisam fazer um celular para cada pessoa, mas sim um celular para uma quantidade maior de pessoas. Eles literalmente fabricam pessoas para usar o celular deles.
 Com quadrinho é a mesma coisa.
 Se 90% da população gosta de bolo de chocolate, e os outros 10% de sabores variados. Pra que eu seria idiota em fazer bolos variados quando o mercado para bolos de chocolate é maior e mais certo?
 No caso troque bolo de chocolate por séries grandes (marvetes e mangás) e o resto os louco que gosta de outras coisas.
 Outro ponto é que um dia as pessoas param de consumir quadrinhos. Então precisamos investir em publico novo, por isso temos versões infantis de tudo que é porcaria. Pra já formar o publico consumidor dos quadrinhos do futuro. Eles fabricam leitores para o quadrinho deles.
 E assim grande parte desse publico que cresceu vendo o bátma tende a continuar a gostando e (mais importante) consumindo produtos dele quando mais velhos.
 A questão é: Quantas boas almas conseguem se desvincular desses gostos que já foram ensinados desde a infância?
 Já assistiu o filme a Origem? Marketing funciona do mesmo jeito, os caras vão lá e implantam uma idéia na sua cabeça de forma tão eficiente que você pensa que aquela idéia é sua.
 Uma delicia né? Tipo cachorrinho amestrado.
 Então nós infelizes que saímos desta bolha maligna estamos limitados a expor e vender nossos trabalhos para um parcela bem menor de leitores, porque a maioria (e eu me incluo, mesmo que em menor nivel) tem preconceito contra o diferente.
 Que bom que com a quantidade de eventos e advento da internet mais gente tem acesso a coisas novas e pode sair da turminha do supinho, da bandinha do narutão ou da patota da charginha.
 Não estou defendendo que tudo fora do grande circuito é bom, que quadrinhos independente é foda. Pelo contrario, tem bem mais lixo, porém também é onde você encontra quadrinhos melhores do que os de banca. Porque o autor não tem que se comprometer a agradar a bandinha do bolo de chocolate, ele pode ou não.
 Comercialmente falando é uma idiotice, mas em termos de inovação, ousadia, paixão e satisfação pessoal mesmo que você tenha que trabalhar com outra coisa pra tirar seu sustento eu (EU!) acredito que seja mais gratificante do que ser maquininha de desenho. Tem gente que é feliz assim, tem quem não seja, tem quem faz os dois e vai muito bem obrigado.
 Não da pra ser extremista em nada.
 Mas a lição que eu aprendi é que não é porque 9 entre 10 pessoas gostam de bolo de chocolate que eu não deva fazer um de morango, afinal pelo menos 1 pessoa gosta de bolo de morango e ultimamente estão surgindo mais pessoas que gostam dos dois.

 E isso é foda!