quarta-feira, 9 de março de 2016

Conheça nossa cozinha #39 - Autocrítica

 Eu tenho uma relação de amor e ódio com novatos e digo isso me referindo a mim mesmo no passado e no presente.
 Quando comecei minha autocrítica era bem menor do que era hoje.
 - Era bom?
 Em partes.
 A vantagem era o fato de que era só sentar e desenhar que tudo o que eu fazia estava satisfatório para mim. E eu não tinha medo de arriscar e me expor. Eu realmente acreditava no meu trabalho.
 A questão é que na nossa bolha a gente é sempre o melhor no que faz porque não tem comparativo. Então quando eu sai da bolha fui para o mundo quebrei a cara, porque descobri que existiam caras fazendo as mesmas coisas que eu e em um nível bem acima do meu, seja em matéria de desenho ou roteiro.
 Essa fase foi contraria e minha autocrítica foi lá em cima ao ponto de me limitar a querer desenhar igual a média para me satisfazer como artista.
 - Foi útil?
 Quando eu estava naquela fase, de estudar anatomia e copiar, copiar e copiar eu não entendia muito bem o que estava acontecendo. Como eu disse, só estava preocupado em me nivelar com a média.
 E acredito que todos os desenhistas tem que passar por essa fase, porque faz a gente querer evoluir e sair da nossa zona de conforto. Nessa fase eu consegui me nivelar com a média e nisso saí da fase do amador.
Porém nessa fase foi que eu me perdi.
 Meu traço ficou inconstante, hora mangá, hora cartum, hora realista. Porque eu não tinha objetivo. Só queria me igualar ao que eu via de desenho bom. Quando muito eu me tornaria uma maquina de xérox como muitos desenhistas por aí que vivem no mundo da média.
 O que me salvou foi uma coisa que eu aprendi como novato que foi não copiar (e que eu sou péssimo com cópias). Isso me permitiu preservar minha identidade como artista e não ser só mais um, mas sim ser eu.
 Usar referencia para um trabalho é essencial. Nos da uma direção para o que queremos como resultado final. Ruim é ficar preso nisso e se limitar a fazer uma versão pobre da referencia.
 Quando você desenha você pode criar o que bem entender no papel! Percebe como isso é grandioso e ao mesmo tempo intimidador? Não é a toa que é mais cômodo só reproduzir.
 Porém não precisa se limitar a copiar a foto se esse não for o propósito. A folha esta em branco para ser preenchida com o que a gente bem entender. Desenhar é criar, não só copiar.
 E isso eu entendo hoje porque minha autocrítica está se nivelando em um nível que não me deixa acomodar, mas também não me coloca como inferior a ninguém. Eu tenho consciência dos meus limites.
 A autocrítica é uma ferramenta poderosa para a evolução, porém anda lado a lado com a nossa maturidade em lidar com criticas.
 Uma critica tem que ser analisada. Se é construtiva, pura inveja ou simples insulto.
 Por isso não vale se fechar para o mundo, é só filtrar o que serve e o que não serve.
 E arriscar sempre.

 Afinal se a gente erra um desenho, é só fazer outro.