quarta-feira, 25 de maio de 2016

Conheça nossa cozinha #46 - Porque contar vários estilos de história.

 Não da para ser bom em tudo, por isso a gente tem que escolher uma coisa para se dedicar e se aprimorar para não ser só mais um na média como muitos por aí.
 Isso não é errado, é um caminho.
 Quem vive de desenho tem que assobiar e chupar cana se for preciso, porém existe um limite para isso.
 Nem todos conseguem ser igual o Avatar (O desenho da televisão, não os bicho azul) que domina os quatro elementos. Porém mesmo o Avatar sendo o escolhido que é tem que estudar um pouquinho para isso.
 Lembro de um conhecido dos tempos antigos que era relativamente novo, trabalhava como musico de orquestra, estava recém casado e acabara de ter uma filha. Por isso estava tocando em tudo que é evento para botar o pão na mesa. Isso é nobre mesmo que sustentar o filho não seja mais do que a obrigação/responsabilidade (por mais cruel que isso tenha soado).
 Passado algum um colega de profissão dele disse o seguinte:
 - Quando você vai parar de trabalhar e estudar de verdade?
 Motivos pessoais a parte, como contas e uma série de razões que você com certeza deve estar pensando. A critica tem um fundo de razão.
 Penso que emprego não seja garantia de nada e o sujeito como musico profissional se ficasse dependendo de tocar as mesmas coisas de sempre com o tempo seria superado e substituído por outros músicos assim como com é qualquer outro profissional, com qualquer um de nós.
 Questões profissionais a parte, como musico (no nosso caso quadrinistas) e me referindo ao oficio como aprendizado, não é legal ficar só fazendo a mesma coisa o tempo inteiro o resto da vida.
 Canso de ver quadrinistas mono gênero aos montes por aí, até porque eu fui um por anos.
 - Que tipo de quadrinho você faz?
 - Eu faço tiras.
 - Legal e o que mais?
  - Só tiras.
 Quando pergunto para um ilustrador se ele desenha só cachorros, é improvável (mas não impossível) que ele diga que “sim eu só desenho cachorros e mais nada.”.
 Agora porque o cara que faz quadrinhos tem que se fechar na caixinha do meu gênero favorito até o fim e acabou?
 Ok, não é todo mundo que vai conseguir contar tudo de forma sublime. Eu mesmo não sei fazer histórias policiais ou de terror, o que não quer dizer que eu não goste e mais ainda, não conheça ou chegue a me aventurar nesses temas.
 Por tempos eu fiz super heróis buscando fazer aventura e nisso acabei caindo no humor , em seguida fui para as tiras, depois disso passei por uma fase totalmente experimental nos quadrinhos inquietos, chegando até a me aventurar na literatura, que foi a primeira linguagem onde eu tive com essa coisa de contar histórias (isso bem antes de começar a fazer quadrinhos).
 - Mas o que você mais gostou de experimentar?
 Particularmente tudo.
 Se eu tivesse insistido um pouco mais em super heróis, ou nas tiras hoje eu seria bem melhor nesse temas, porém cada dia mais eu penso que não.
 Tudo no final se complementa.
 Literatura, tiras, super heróis, experimentação... Todas contribuíram para melhorar o meu repertório de temas e assuntos.
 Não que eu seja o mestre absoluto dos roteiros, porém já tenho mais repertório para contar coisas em quadrinhos do que outros que só escreveram/leram sobre uma coisa a vida inteira.
 Reiterando que essa não a formula mágica ou a verdade absoluta.
 É só um caminho pelo qual que sigo e que eu ainda vou ver onde vai dar.
 Afinal se todos os caminhos levam a morte, porque temos que seguir todos pela mesma estrada?