quarta-feira, 1 de junho de 2016

Conheça nossa cozinha #47 - Diversidade

 Admito que eu era indiferente com essa coisa de inclusão e diversidade.
 Porém quando pisaram no meu calo eu realmente parei e pensei sobre o assunto.
 Tenho um gosto meio fora do “comum” para filmes e quadrinhos.
 Romance, drama e caras loosers costumam ser o tema das histórias que eu mais gosto, mesmo eu curtindo Sergio Leone com seus filmes de bang bang para machões e sendo fã incodicional do Bruce Willis (e não só porque ele é careca!).
 E por não expor muito esse meu gosto por coisas mais sentimentais eu nunca senti na pele o preconceitos que as pessoas têm contra esses gêneros.
 Por exemplo, adoro as histórias cheias de sentimentalismo do Mario Cau e descobri que tem quem não curte.
 Então eu pensei: Como assim? O bagulho é bom!
 Questão de gosto. Não vamos impor ao coleguinha obrigação de gostar de tudo... Né?
 O que eu admiro no tio Cau é que caras como ele e os gêmeos abriram um puta espaço para uma geração inteira de quadrinistas que não estão nem aí para gente musculosa de tanguinha combatendo o crime ou super robozões botando pra fuder e querem só narrar o cotidiano de alguém que é comum como eu e você. Coisa que se vê mais no quadrinho europeu.
 Lembro de um carinha mais novo que eu conheci uns anos atrás que fazia umas histórias contando a vida de uma rockeira com as amigas e suas relações bem no estilo aqueles seriados de vida cotidiana. Não sei que fim o sujeito levou, mas acredito que sim, ele sofreu preconceito com certeza.
  E só para não dizer que não conheço o universo dos comics (o que é quase impossível) assisti muito a liga da justiça que passava no Sbt e x-men evoltuion.
 Agora quadrinho mesmo eu li pouquíssima coisa de comics, da pra contar nos dedos da mão direita inclusive.
 - Ta vendo, nem conhece e fica aí falando bosta!
 É nesse ponto que eu queria chegar.
 Não tem certo nem errado, meu quadrinho é melhor e o seu é pior, é tudo questão de escolha.
 Comics tem seus pontos tanto positivos quanto negativos. Assim como quadrinhos que falam de cotidiano com suas fantasias e drama às vezes irreais também.
 A questão é que o preconceito ou medo da não aceitação alheia nos faz ficar presos a dar o que “todo mundo quer”.
 Por vezes eu tenho vergonha de mostrar algumas coisas que eu escrevo que falam mais de sentimentos do que de porrada.
 A hq Acaso é um bom exemplo. Uma hq que fala sobre um encontro casual entre dois personagens é um tema que eu queria abordar há anos mas nunca tive coragem de arriscar, nem experiência e referencias para tomar como base. Essa hq é resultado de um conto que eu fiz para o curso de literatura, que inclusive, me ajudou a quebrar muitos preconceitos e perder a vergonha de tocar em certos assuntos.
 “Mas é tão mais legal fazer coisas de macho como duro de matar”.
 É legal mesmo. Fazer aquela puta história cheia de ação e explosões é incrivel. Porém tomo como base os filmes do Rock.
 Tem a dose de cabra macho?
 Tem.
 Tem romance?
 Tem.
 Tem drama?
 Lógico que tem!
 E não foi lendo só quadrinhos de macho e convivendo com os bárbaros que o Stallone conseguiu material para escrever os filmes.
 Um bom autor tem que conhecer de tudo e tentar experimentar de tudo em quadrinhos. E ainda mais, entender que o mundo não existem só Conans, mas que também existem Joãos e Marias que vivem a grande aventura da vida cotidiana e que eles merecem tanto espaço quanto os heróis/deuses se a vida for deles for interessante.
 Confesso que ainda estou preso há alguns estereótipos porque é mais cômodo usar aquilo que está a nossa volta e a nós mesmos, gostos pessoais e vontades como base para criar tudo. Mas já dei alguns passos pra olhar a coisa de fora e a cada dia estou abrindo meus horizontes para outras possibilidades, outras belezas, outras pessoas e outras histórias.
 Mesmo que seja para no futuro voltar e aplicar tudo isso em uma história de ação/aventura que eu sempre quis fazer.

 E com certeza é o que vai acontecer.