quinta-feira, 16 de junho de 2016

Conheça nossa cozinha #49 - Doutorado em quadrinhos.

 Sou do tipo que não discute roteiros com fã ou gente bitolada em certas franquias.
 1 - Porque não tenho saco pra argumentar e defender meu ponto de vista até convencer a pessoa a mudar de opinião.
 2 - É cansativo.
 3 - Não faz diferença.
 4 - É melhor discutir com alguém que te ouça (ou pelo menos finja) e saiba ver o seu ponto de vista também.
 5 – Tem horas que eu sou o chato com quem às pessoas não conseguem debater.
 Esse é o ser o humano de verdade.

 Doutorado em quadrinhos.

 Uma coisa que eu acho um pé no saco são os doutores em quadrinhologia.
 Todo mundo conhece ou até é um tipo desses.
 É o cara que pra cada coisa que você fala sobre quadrinhos ele saca um desenhista ou referencia da manga falando sobre o método do cara e defendendo como o estilo do maluco é foda e pa! E que isso mudou a industria, que revolucionou o caralho todo e como foi mau usado em tal filme e... Quando você entrega uma pagina sua pro cara ver ele olha com entojo e faz qualquer comentário genérico. Isso quando olha.
  Então ele fala que tem aquele puta projeto na mente pra uma história de 100 capitulos e... Nunca fez uma pagina na vida.
 Não é que todo mundo que goste, escreva resenhas sobre ou debata quadrinhos tenha necessariamente que fazer histórias. Porém todos devem ter pelo menos uma noção plena que é um negócio difícil para caralho antes de sair metendo o pau ou dando palpite.
 Agora que eu tenho um pouco mais de pratica na coisa as pessoas me vêem como um cara arrogante por falar os pontos negativos ou dar palpite com tanta propriedade.
 Assim como nessa coluna. (hahahahaha)
- Quem é esse Zé ninguém aí?
- Sei lá.
 Bom, não sou ninguém mesmo.
 Tão pouco dono da verdade absoluta kkk.
 Voltando ao Zezinho fala muito e faz menos ainda, esse é tipo que acha que sabe tudo sobre quadrinhos sem ter feito uma pagina na vida e tem a solução mágica para todos os filmes de herói e vai fazer uma puta mega saga, mas não sabe nem por onde começar.
 Quem faz aula de quadrinhos sabe quem é. Geralmente é o tipo que interrompe o professor o tempo todo com sua lista infinita de referencias e artistas gringos com aquele tom pomposo e de boca cheia, pra falar de uma coisa que nem é dele.
 Quando comecei eu achava o máximo e sentia até uma pontinha de inveja.
 - Porra, o cara conhece a pá de bagulho foda! Manja dos artista tudo aí! Deixa todo mundo impressionado com seu conhecimento infinito sobre “comics”.
 Hoje eu vejo como as coisas mudaram e o cara é só como um fã chato.
 Assim como os desenhistas de rede social.
 O cara faz uma linha e já posta em tudo que é canto.
  #desenho #scketch #meaplaudam #meuegoprecisadisso
 - Mas você está generalizando!
 Não.
 Não estou.
 Eu sei como é.
 Já tive essa fase também de “preciso mostrar ao mundo que eu sou desenhista meu ego precisa disso!”.
 Assim como a fase do “olha só como eu tenho referencias de artistas e manjo muito de mangás!”.
 Apesar de eu ter usado um tom de repulsa vejo isso como algo absolutamente normal (irritante, mas normal).
 É normal a gente querer compartilhar o que gosta como os outros, assim como a gente fala de namorada(o) o tempo inteiro quando tá no começo do namoro.
 Quadrinho é uma coisa muito solitária, a gente passa muito tempo fazendo pra ninguém ler, lendo pra não ter com quem comentar e quando aparece alguém é legal pra caralho compartilhar!
A questão é:
 Até onde você está compartilhando ou sendo chato?
 Na sua turminha se todo mundo aceita, legal. Inunda seu face de desenho e os caralho e marca todo mundo, mas tem hora que a coisa foge do controle e algumas pessoas perdem o senso.
 Como nas aulas.
 Desde sempre que eu faço cursos eu lido com gente que quer saber mais que o professor, interrompendo o raciocínio o tempo todo com suas referencias e gabarito de leitor assíduo o tempo inteiro com a pompa de “eu sou letrado e vocês não”. Porém veja em “quer saber” não é igual sabe. Se não a pessoa seria o professor.
 Ou estou errado?
 Como eu sou mais velho eu tenho mais conhecimento do que o pessoal que está começando agora e não poupo esforços em ajudar ou tentar passar algo que eu sei.
 É o caminho das pedras.
 Porém tento fazer isso quando me dão a palavra.
 Por isso nunca seja o chato que sabe tudo e faz questão de esfregar isso na cara de todo mundo.
 Se você sabe, que bom. Se pode compartilhar melhor ainda.
 Agora um ditado que funciona bem é:

 “O mestre que sabe que é um aprendiz sempre é melhor que o mestre que pensa que é um mestre.”


 (mestre Coaco)