quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Conheça nossa cozinha #63 - Vontade de desistir

 Não se assuste é mais comum do que se pensa.
 Se tem uma coisa que me irrita são discursos cheios de motivação, positividade e a palavra sonho citada umas 500 vezes.
 Bem como discursos cheios de reclamação, coitadismo e “o mundo é o grande culpado pelo meu fracasso pessoal”.
 Seja como quadrinistas ou não, todos nós em algum ponto da vida vamos passar (ou já passamos) por essas duas fases.
 Assim como a inevitável vontade de chutar tudo pra longe e se perguntar se vale a pena continuar ou não.
 Porque acordar todo o dia motivado a fazer o que quer seja sem pensar uma dessas coisas é realmente complicado.
 Como digo sempre o problema não pensar, mas sim ir pelos extremos.
 Sempre que vemos alguém de sucesso ou que já está no ponto aonde a gente deseja chegar (tem a profissão que a gente quer, o carro, o status) a gente só costuma enxergar o lado da glória:
 - Ele tem nome!
 - Ele trabalha na Marvet!
 E não enxerga mais nada e vai colocando o barquinho na água cheio de sonhos para navegar até o tão almejado horizonte cheio de glória sem fazer idéia do tanto de merda que a sujeito teve que passar pelo caminho pra chegar até aonde ele está (e queremos estar).
 Aí no primeiro tropeço vem aquela vontade de jogar tudo para o alto e desistir de vez.
 Como estamos com pique da pra segurar e continuar tentando, porém quando chegar na décima (ou na quinta ou na vigésima... cada um tem seu limite) e não vem resultado nenhum, já não sobra muita força para tanto e desistir parece cada vez mais tentador. Então é a hora que geralmente começamos a culpar Deus e o mundo pelo nosso fracasso (como se a gente não errasse nunca, não, imagina) ou podemos ponderar sobre o que estamos fazendo de errado que não está dando o resultado esperado, o que geralmente aprendemos depois de tomar muito na cara e reclamar da vida.
 Pegando o exemplo do barco podemos pensar um pouco no que podemos ter feito de errado para não estar tendo resultado.
 Se queremos chegar na ilha X precisamos saber a rota e não sair a deriva por aí sem rumo, bem como usar um barco próprio e confiável para navegação para não ficarmos perdidos no mar. Ter um plano.
 Porem imprevistos sempre acontecem, podemos naufragar e ficar a deriva no mar. Isso é risco.
 E também podemos nos perder da rota inicial e chegar a ilha Y que é muito melhor do que a ilha X. Isso é cagada ou sorte. (Que também é um fator a ser considerado).
 Ou podemos nem embarcar na jornada e acabar tomando outros rumos, a vida é algo realmente imprevisível e tem coisa que realmente não é para a gente.
 Por isso desistir de tudo é algo absolutamente normal, não digo ao ponto de chegar a pontos sem retorno como o suicídio, por exemplo, mas não há nada de mal em questionar as vezes. Se sentir desmotivado é só um sintoma de que algo não vai bem. Foda é só aprender a identificar o que é, porque as vezes precisamos fazer as coisas até do jeito errado só para ter certeza que estávamos fazendo do jeito certo. Pode parecer esquisito, mas isso é aprender a cair para saber se levantar.
 E em quadrinhos que é uma área que lida muito com o auto conhecimento questionar é um acontecimento frequente porque observamos as coisas o tempo inteiro nesse processo de criarmos nossos mundos e vidas imaginárias. E ao paramos para olhar o mundo real com um pouco mais de atenção vemos que muita coisa por aí anda tão errada e imbecil até com a gente mesmo que é muito frustrante e as vezes difícil manter a confiança nas coisas e até em nós mesmos as vezes, porém também nos surpreendemos com atos de generosidade e carinho que nos motivam a confiar que tudo vai “acabar bem” como é passado em muitas histórias.
 Por isso é bom se abastecer de referências interessantes o tempo inteiro.
 Não só ficar sendo negativista, podrão, bem como florista e ilusório o tempo inteiro. Como eu disse extremos são tóxicos. Bom é variar entre ambos. Porque isso mexe diretamente com a gente, goste ou não. E isso mesmo que indiretamente nos leva a questionar as coisas mais cedo ou mais tarde, pelo menos para mim levou... Talvez isso seja coisa da idade, ou da própria vivência, mas é comum a gente questionar, o mundo, nossa vida, o que a gente ta fazendo aqui... Isso é pensar.
  Por isso todo esse processo maluco é que incentiva a colocar minha mensagem nas histórias para passar a mensagem adiante para que quem leia também se questione assim como eu, e até você faz o tempo inteiro.
 Afinal quem questiona, evolui.
 E sim, às vezes desistir é necessário.

 Mas não sem ter tentado, isso não.